La Paz: Passeio Chacaltaya e Valle de La Luna

Em nosso último dia em La Paz fomos conhecer a Montanha de Chacaltaya e o Valle de La Luna. Às 9h a van nos buscou no Hostel para iniciarmos o passeio. Fomos primeiro a Chacaltaya, uma montanha da Cordilheira dos Andes de 5.421 m de altitude localizado há aproximadamente 30 km ao norte de La Paz, porém, o acesso à estação é feito por uma estrada estreita, bem íngreme e a subida é um tanto quanto emocionante. Uma curiosidade interessante é que Chacaltaya é o símbolo da Paramount Pictures, aquela montanha que aparece na abertura de muitos filmes!

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Montanha de Chacaltaya, símbolo da Paramount Pictures. Foto: Murilo Mendes Thomaz

Depois de 2 horas na van vendo paisagens incríveis, pequenos lagos vermelhos, verdes, azuis e passando muito medo, chegamos a Estação Chacaltaya, que a 5.395 metros em relação ao nível do mar, é a estação de esqui mais alta do mundo. Nem a mais alta estação de esqui do mundo resistiu  às mudanças climáticas (aquecimento global) e atualmente está desativada pois as pistas do Chacaltaya sucumbiram ao derretimento do gelo e, durante o verão de 2009, o glaciar onde a estação estava instalada praticamente desapareceu. Hoje, restam apenas 5% da geleira, com algumas incidências de neve, mas raras. Os cientistas haviam previsto seu desaparecimento para 2015, mas o aquecimento global acelerou o processo. De acordo com o levantamento da Co+Life, além de frustrar aventureiros, o sumiço da geleira comprometeu o abastecimento de água em algumas regiões da capital naquele ano.

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Estação Chacaltaya (direita) vista da subida ao topo da montanha. Foto: Murilo Mendes Thomaz

Para chegar ao topo de Chacaltaya é preciso chegar até a estação e depois subir mais 200 metros. Apesar de ser uma caminhada de 200 metros, a altitude, a neve e o vento gelado (faz muito frio) dificultam bastante! Mas depois de chegar no topo, é uma vista incrível! Vale muito a pena!

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Chegando ao topo de Chacaltaya, La-Paz. Foto: Murilo Mendes Thomaz

Depois de visitar Chacaltaya, fomos para o Valle de La Luna. É legal e bem bonito, mas eu esperava bem mais. São poucas formações rochosas com formato de algo e é bem pequeno. Depois do Valle de La Luna a van nos deixou no Mercado das Bruxas. Chegamos no Hostel às 16h30 e conversamos com o gerente/dono da agência sobre o valor que nos cobraram do passeio, que foi absurdo. Contratamos esse passeio por 120 bolivianos e as entradas para visitar Chacaltaya e o Vale de La Luna (15 bolivianos cada) não estavam inclusas. Como se não bastasse isso, conversando com outros brasileiros que estavam na mesma van, eles nos disseram que pagaram 50 bolivianos pelo mesmo passeio. Depois de explicar a situação ele nos devolveu 50 bolivianos (R$12) e no fim das contas o passeio acabou saindo 100 bolivianos (R$ 25) e disse que havia sido “um mal entendido”… portanto, pesquise os valores dos passeios!

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Valle de La Luna, La-Paz – Bolivia. Foto: Guilherme Mendes Thomaz

Em seguida fomos para a rodoviária, pegar o ônibus para Uyuni, de onde saem os famosos passeios para visitar o Salar de Uyuni (Deserto de Sal). Há opções de passeios de 1 a 4 dias de duração, onde o mais tradicional é o passeio de 3 dias. Nós compramos as passagens de ônibus de La Paz à Uyuni no dia, antes de sair pro passeio. Tentamos comprar pela empresa TURBUS ou TODO TURISMO que são as melhores mas como não tinha disponibilidade para saída naquela noite, compramos na OMAN por 100 bolivianos (R$ 25).

O ônibus era normal e já sabíamos que a estrada era péssima e que a viagem seria complicada mas passar 8 horas em um ônibus não muito confortável, sem banheiro, viajando por uma estrada em péssimas condições (se é que podemos chamar aquilo de estrada), sentado no último assento do ônibus (aquele que não reclina) e com o Gringo do lado ainda (brincadeira), ficou bem mais complicado. Nos poucos momentos que consegui cochilar eu acordava voando no assento e quase batendo a cabeça no teto, sério!

No próximo post falarei sobre o passeio do Salar de Uyuni de 3 dias, saindo de Uyuni até San Pedro do Atacama, no Chile. Um passeio incrível!

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Isla Del Sol, Lago Titicaca: a Ilha Sagrada dos Incas

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Isla del Sol, Lago Titicaca – Bolívia

A Isla del Solmaravilhosa Ilha Sagrada dos Incas é a maior e mais conhecida das 41 ilhas espalhadas pela imensa área de 8.549 km² do Lago Titicaca, que está a 3.800 metros acima do nível do mar e é o lago navegável mais alto do mundo. Além de ser sagrada, a Isla del Sol tinha uma importante função estratégica no antigo Império Inca, e portanto, há diversas ruínas, santuários e templos dedicados ao Deus Sol onde a maioria delas data do período Inca, no século XV. A partir de descobertas de arqueólogos estima-se que a ilha é habitada há 5.000 anos!

Apesar da terra árida, os habitantes da ilha vivem do cultivo de arroz, batatas e da criação de ovelhas e lhamas. A principal fonte de renda da comunida local vem da agricultura, subsidiada pela pesca e pelo turismo. Atualmente, a Isla Del Sol é povoada por cerca de 3.000 indígenas de origem quechua e aymara, dedicados ao artesanato e ao pastoreio.

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Ovelhas na Isla del Sol, Bolívia. Foto: Guilherme Mendes Thomaz

Para visitar a Isla Del Sol é preciso pegar barcos que saem de Copacabana diariamente às 8h30 e 13h30 em direção aos dois lados da Isla del Sol e custam aproximadamente 20 bolivianos (R$ 5). O trajeto até Challapampa (parte Norte) dura aproximadamente 1h30 e até Yumani (parte Sul), 2 horas.

Optamos por pegar o barco às 8h30 em direção a parte sul da Ilha pois já tínhamos reserva no Hostel HI-Inka Pacha, localizado na parte sul da Ilha.  O trajeto até a Isla Del Sol já é um passeio maravilhoso! Assim que descemos do barco já fomos “cordialmente” recepcionados por uma “mamita” nos cobrando 10 bolivianos para entrar na ilha. Lá na Isla del Sol você paga para tudo e grande parte da comunidade local que tivemos contato não fez questão nenhuma de ser simpático conosco, mas as paisagens deslumbrantes fazem a visita valer a pena e particularmente foi um dos lugares mais incríveis que eu já estive.

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Chegada a Isla del Sol, Lago-Titicaca – Bolívia. Foto: Murilo Mendes Thomaz

Isla-del-Sol-Bolivia-Lago-Titicaca-CopacabanaAo chegar na parte sul, você vai dar de cara com uma grande e íngrime escada pré-colombiana, que conduz os visitantes a Comunidade de Yumani, onde estão os hostels, restaurantes e a Fonte da Juventude. A Fonte tem três jorros, e cada um deles se refere a uma das três máximas incas. Ama K’ella: não seja preguiçoso. AmaLlulla: não seja mentiroso. Ama Sua: não seja ladrão.

Depois de muito esforço e muitos degraus, chegamos ao Hostel HI-Inka Pacha, que faz parte da Rede Hosteling International. Reservamos um quarto triplo com banheiro privativo por R$ 14,27 (55 bolivianos) e quando chegamos lá não havia banheiro no quarto. Mesmo depois de muitas explicações a funcionária do hostel não fez questão nenhuma de resolver e entender a nossa situação e acabamos pagando o valor do quarto com banheiro privado, que nem sequer existia. Apesar de ser um dos albergues mais recomendados no HostelWorld.com, não recomendamos o Hostel HI-Inka Pacha.

Após deixarmos as malas no hostel, fomos almoçar antes de começar nossa caminhada até o lado norte da Ilha. Comi um menu turístico que custou 30 bolivianos (R$ 7) e incluía entrada, prato principal e sobremesa (postre). Como entrada pedi uma sopa de quinoa que é típica da Isla Del Sol, como prato principal um filé de Truta (Trucha) com arroz e batata frita (papas fritas) que estava uma delícia e de sobremesa uma banana com chocolate. Pedimos uma Coca-Cola gelada para acompanhar o almoço, mas nem todos os restaurantes da Isla Del Sol servem as bebidas geladas e as bebidas são servidas na temperatura ambiente!

Assim que almoçamos, iniciamos nossa caminhada até a parte Norte da Ilha. Caminhamos aproximadamente 8 km em 3h30 por uma trilha muito bem sinalizada e bem cansativa devido ao sol forte, as subidas e a altitude. Mas os cenários e paisagens incríveis do lago Titicaca, das ovelhas pastando, das ruínas incas, das ovelhas pastando compensa qualquer cansaço.

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Pedra Sagrada, Isla del Sol – Bolívia.

Ao final da trilha surge a Pedra Sagrada (Roca Sagrada), uma rocha sagrada para os tihuanacos e incas. Em frente a Pedra Sagrada há uma mesa de pedra que era um altar cerimonial de oferendas e sacrifícios aos deuses. Enquanto os tihuanacos sacrificavam Lhamas e outros tipos de animais, os incas sacrificavam humanos por motivos que variavam desde uma terrível seca, inundação, terremoto até a morte de alguém da realeza, onde uma virgem especialmente selecionada era sacrificada. No caso de um imperador ou chefe da realeza, cem criancinhas eram sacrificadas. Loucura!

Seguindo em frente, você chegará as Ruínas de Chinkana, conhecidas também por El Laberinto, onde é possível ver e chegar a uma prainha paradisíaca da Isla Del Sol – um visual incrível das ruínas, da imensidão e das águas cristalinas do Lago Titicaca. Lá aproveitamos para comer alguma coisa e apesar da água congelante, foi impossível não dar um mergulho nas águas do Titicaca em meio aquela paisagem maravilhosa, até mesmo porque precisávamos recuperar a energia e quando pulamos a nossa “barrinha de energia” foi carregada. Incrível!

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Ruínas de Chinkana ou “El Labirento”, Isla del Sol – Bolívia. Foto: Murilo Mendes Thomaz

Gostaríamos de ficar lá o resto da tarde e ainda visitar o museu com peças de origem inca, artesanatos e fotos, mas não conseguimos ir pois infelizmente, devido a uma falta de informação, percepção e planejamento, tínhamos que voltar novamente a parte sul da ilha porque reservamos o hostel lá e nossas mochilas grandes estavam lá. Portanto, recomendo deixar os mochilões no hostel em Copacabana e levar apenas uma mochila pequena para a Isla del Sol, fazer a trilha e passar a noite no lado norte da ilha para poder aproveitar mais e não precisar fazer a trilha de volta ao lado sul.

Isla-del-Sol-Bolivia-Lago-Titicaca-Copacabana-Trilhas2A trilha de volta foi muito mais cansativa e preocupante pois escureceu e tínhamos apenas um guarda-chuva que tinha lanterna no cabo e um celular para iluminar o caminho para nós quatro e no fim ainda ajudamos uma senhorinha que estava caminhando no escuro e pegou uma “carona” com a gente. Foi uma experiência interessante e conversando durante a caminhada ela nos disse que estava acostumada com as trilhas, subidas e descidas, e que as pessoas da Isla Del Sol nascem, crescem, vivem e morrem lá.

Depois de mais algumas horas de caminhada que totalizaram umas 7 horas caminhando e aproximadamente 16 km percorridos no dia, chegamos ao vilarejo e entramos no primeiro restaurante que vimos. Estavamos exaustos, famintos e com muita sede. Tomamos duas garrafas de 2,5 litros de Coca-Cola gelada e jantamos. Comi um filé de As, com arroz e papas fritas (pra variar!) e depois fomos para o hostel dormir!

E você, já foi a Isla del Sol? Compartilhe  suas dicas e experiências conosco!

No próximo post falarei sobre La Paz, a Capital Administrativa e Sede do Governo da Bolívia!

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Copacabana, Bolívia: Lago Titicaca, Cerro do Calvário e Chicharrón de Trucha

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Av. Costanera, Copacabana. Foto: Guilherme M. Thomaz

Copacabana é a principal cidade do entorno do Lago Titicaca, na Bolívia. O Lago Titicaca que possui uma área de 8.549 km² e é o lago navegável mais alto do mundo,  a 3800 metros acima do nível do mar. A cidade esta localizada a 3.841 metros acima do nível do mar e a aproximadamente 155 quilômetros de La Paz. O nome deriva da expressão do dialeto Aymara, que significa “vista do lago”.

É estranho quando se houve falar na Copacabana Boliviana, mas o mais interessante é que foi a Copacabana da Bolívia que deu origem ao famoso bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro. Nossa Senhora de Copacabana é a padroeira da Bolívia e no século XIX, uma réplica local da imagem de Nossa Senhora de Copacabana foi levada por ao Rio de Janeiro por comerciantes espanhóis e uma pequena igreja foi criada para abrigá-la. Esta igreja cresceu e acabou por nomear o atual bairro de Copacabana. Quem diria em…

Apesar de possuir alguns atrativos turísticos interessantes como a Igreja de Nossa Senhora de Copacabana (onde está uma das imagens mais cultuadas da Virgem Maria) e subir o Cerro Calvário, a cidade mais serve de apoio aos viajantes que vão conhecer as ruínas e as ilhas bolivianas no Titicaca e por isso é uma cidade mais cara. É daqui que saem os barcos para visitar a maravilhosa Isla del Sol, a ilha sagrada dos Incas.

Para chegarmos até Copacabana pegamos o trem em Águas Calientes às 15h20 da tarde anterior e chegando em Ollantaytambo pegamos um ônibus para Cusco que chegou às 19h. Às 22h pegamos o ônibus para Copacabana (fomos de Tranzela mas todas as empresas saem esse horário), que chega em Puno às 5h e precisa esperar na rodoviária até as 7h para pegar a conexão até Copacabana. Chegamos lá às 10h e como a cidade é pequena,  os ônibus chegam e partem da Praça Sucre, no “centro”. De lá fomos para o Bash & Crash Perla Del Lago Hotel (Calle 3 de Mayo y Calle Bolívar- Colquepata), localizado perto da Plaza Sucre e ótimo, mais parece um hotel. Os quartos eram limpos, confortáveis e o café-da-manhã é diferenciado! A diária em apartamento quadruplo com banheiro privativo saiu por 220 bolivianos (R$ 55). Na verdade o Perla Del Lago é um hotel, mas também usa a bandeira dos hostels Bash & Crash.

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Chicharrón de Trucha do KIOSKO #13 – Copacabana, Bolivia. Foto: Guilherme Mendes Thomaz

Deixamos nossas coisas e fomos dar uma volta na cidade e almoçar. A Rua 6 de Agosto oferece opções de hospedagem e restaurantes mas acabamos indo até a Av. Costanera e ficar de frente para o lago. Apesar da maioria dos restaurantes serem mais caros, há uns trailers bem na beira do lago que oferecem pratos, que para nossa surpresa, eram muito bons. Comemos um Chicharrón de Trucha com arroz y papas fritas (pra variar) no KIOSKO #13 FELY que estava uma delícia por apenas 20 bolivianos (R$ 5).  Recomendo muito!

Após o almoço, descansamos um pouco, compramos as passagens de barco pra Isla del Sol e para La Paz e em seguida fomos subir o Morro do Calvário. A subida dura 30 minutos e apesar de ser um pouco cansativa, o esforço vale a pena! Tem uma vista sensacional da cidade e do lago Titicaca. O azul da água se mistura com o azul do céu na imensidão e o pôr-do-sol é maravilhoso também. Vá bem agasalhado pois faz muito frio!

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Copacabana vista do Cerro Calvário. Foto: Guilherme Mendes Thomaz

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Machu Picchu: a Cidade Perdida dos Incas

Machu Picchu, a Cidade Perdida dos Incas

Machu Picchu, a Cidade Perdida dos Incas.

Machu Picchu, a Cidade Perdida dos Incas, está localizada à aproximadamente 2.400 metros na Cordilheira dos Andes, no Peru, e por ser o principal legado do Império Inca, é um dos sítios arqueológicos mais famosos e um dos atrativos turísticos mais visitados do mundo. Em 1983, o Santuário Histórico de Machu Picchu foi declarado Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade pela UNESCO e em 2007 foi eleito como umas das 7 Maravilhas do Mundo Moderno!

O DESCOBRIMENTO

Há muitas discussões e histórias sobre o descobrimento de Machu Picchu, porém, o atual Parque Arqueológico Nacional de Machu Picchu  foi (re)descoberto e apresentado ao mundo pelo historiador americano Hiram Bringman, em 24 de julho de 1911 (tarde né?). Guiado até o cume por um dos meninos das duas famílias de pastores que residiam no entorno do local, o historiador viu as construções arqueológicas cobertas pelo manto verde da vegetação tropical e em evidente estado de abandono há muitos séculos. Apenas 30% da cidade é de construção original, o restante foi (e está sendo) reconstruído.

HISTÓRIA

Pouco se sabe sobre a história do principal legado do Império Inca. Além de não haver relatos nas crônicas dos conquistadores espanhóis, as edificações de Machu Picchu estão intactas aos característicos atos de destruição realizado pelos espanhóis em outros locais sagrados, o que ressalta a teoria de que os espanhóis nunca a encontraram.  Há diversas teorias sobre a função de Machu Picchu, porém, a teoria mais recente, aceita e apresentada pelos guias afirma que foi um estado do famoso Imperador Inca Pachacuti (1438–1472) construído com o objetivo de supervisionar a economia das regiões conquistadas e com o propósito secreto de refugiar o soberano Inca em caso de ataque. A cidade foi planejada e construída estrategicamente no alto de uma montanha, cercada por outras montanhas (como Waynapicchu, a montanha que aparece atrás das ruínas nos cartões postais) e circundada pelo rio Urubamba. Machu Picchu foi também um grande centro de estudos, onde se ensinava Astronomia, Agronomia, Medicina, Arquitetura, entre outras atividades. Portanto, também é considerada a primeira Universidade das Américas.

Machu Picchu e Waynapicchu (ao fundo). Foto: Guilherme Mendes Thomaz

Machu Picchu e Waynapicchu (montanha ao fundo). Foto: Guilherme Mendes Thomaz

O complexo de Machu Picchu está claramente dividido em duas grandes zonas: a Zona Agrícola, formada por conjuntos de terraços de cultivo e recintos de armazenagem de alimentos (ao sul) e a Zona Urbana, onde viviam os ocupantes e onde se desenvolviam as principais atividades civis e religiosas, destacando as casas, templos, praças e a engenharia hidráulica do local.

Enfim, há muitas coisas interessantes em Machu Picchu, uma mais fascinante que a outra! Para ter ideia isso foi apenas uma pequena introdução perto da experiência e de tudo o que se aprende visitando esse lugar fascinante!

A EXPERIÊNCIA

Acordamos às 4h30, tomamos café da manhã e já saímos para poder pegar os ônibus que levam a Machu Picchu a cada 15 minutos à partir da 5h30 por U$ 17 (Ida e Volta)e dura 10 minutos. Acabamos pegando o ônibus só as 6h30 porque esquecemos de imprimir o ticket de Machu Picchu quando compramos e tivemos que encontrar um lugar para imprimir. As entradas para Macchu Picchu SÓ podem ser compradas antecipadamente pela Internet (http://www.machupicchu.gob.pe/) ou presencialmente nos escritórios do Ministerio de Cultura – Dirección Regional de Cultura de Cusco ou de Águas Calientes (Av. de la Cultura, 238 Condominio Huascar –  Cusco).  No próprio site há um alterta sobre a vendas de ingressos falsos em Cusco.

Entrada para subir até Waynapicchu. Apenas 400 pessoas por dia!

Entrada para subir até Waynapicchu. Apenas 400 pessoas por dia!

Há 4 tipos de ingressos: Machu Picchu (128 soles – R$ ); Machu Picchu – Museo (150 soles – R$ ); Machu Picchu – Waynapicchu (152 soles – R$), preços para ADULTOS EXTRANGEIROS. O ingresso Machu Picchu – Waynapicchu” é o único que da o direito de subir Waynapicchu (a montanha que aparece atrás das ruínas nos cartões postais) e são disponibilizados apenas 400 ingressos disponíveis por dia, divididos em 2 grupos: 200 pessoas das 7h às 8h e as outras 200 das 10h às 11h. Portanto, compre com certa antecedência se quiser subir Waynapicchu!

Como compramos o Machu Picchu – Waynapicchu das 7h, chegamos ao Parque Arqueológico Nacional de Machu Picchu  e fomos direto para a entrada de Waynapicchu. É bom chegar cedo para ser um dos primeiros a entrar e garantir os melhores lugares para curtir e observar Macchu Picchu lá de cima. A “escalada/trilha” até o topo dura de 1h a 2h e a altitude, a inclinação, quantidade de degraus e penhascos que requerem muita atenção, deixam a subida ainda mais emocionante e desafiadora. Mesmo sendo perigosa, pessoas de todas as idades inclusive um casal de argentinos se revezando para carregar a filha deles de uns 3 anos nas costas… Loucura? Irresponsabilidade? Incentivo? Seja o que for,  sorte dela de conhecer lugares incríveis assim tão cedo!

Fomos um dos primeiros a chegar ao topo de Waynapicchu e o fato de estar nublado e não conseguirmos ver nada primeiramente nos deixou frustrado mas ao mesmo tempo despertou uma ansiedade e uma expectativa muito grande. Pegamos uma das melhores pedras para sentar (a mesma pedra da escadinha de madeira) e a cada movimentação das nuvens era uma enorme expectativa de todos. Depois de muita movimentação, o tempo abriu e conseguimos ver Machu Picchu lá longe e foi uma sensação muito emocionante!

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Machu Picchu visto do topo da montanha de Waynapicchu. Foto: Guilherme Mendes Thomaz

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Nosso grupo de Machu Picchu.

Depois de curtir e tirarmos muitas fotos, descemos e aí sim fomos visitar Machu Picchu, de perto. Descendo Waynapicchu, chegamos a Macchu Picchu pela parte de trás e voltamos a entrada do parque para contratarmos um guia turístico. Estavamos em 8 pessoas e fechamos uma visita guiada de aproximadamente 3 horas, em espanhol, com um guia excelente por 100 soles (R$  ), muito barato! Caso esteja sozinho ou em um grupo pequeno, entre em outro ou forme um grupo! Sem as informações, curiosidades e conhecimentos que eles nos passou, Machu Picchu seria apenas pedras… Sério! Não deixe de contratar um guia!

Após o término do tour, por volta das 15h30 o parque já estava bem vazio pois os trens voltam a Ollantaytambo/Cusco neste horário. Como íamos pegar o trem apenas no dia seguinte, ficamos curtindo Machu Picchu e depois subimos até a Casa dos Guardiões. Ficamos sentados lá apreciando a paisagem até as 18h, hora que o parque fecha. Foi incrível passar 12 horas em Machu Picchu, mas de acordo com o nosso guia, isso não será mais possível, pois a partir de Julho de 2012 os visitantes poderão passar apenas 3 horas no Parque Arqueológico Nacional de Machu Picchu para reduzir os impactos causados pela atividade turística.

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Murilo e Pedro curtindo o fim de tarde em Machu Picchu. Foto: Guilherme Mendes Thomaz

No próximo post falarei sobre o nosso dia em Águas Calientes, volta a Cusco e ida a Copacabana, Bolívia! 

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Quando decidi passar um tempo viajando, minha idéia foi partir após minha formatura (Páscoa) e fazer um Mochilão pela América Latina inteira até o México e se sobrasse dinheiro, a Europa em seguida. Tudo na carreira solo!

Porém, como meu irmão e o Gringo (outro amigo nosso) decidiram tirar férias em Março e fazer um Mochilão pela América do Sul, resolvi ir junto com eles, voltar para minha formatura e ir para a Europa em junho.

Foi então que começamos a organizar o nosso roteiro. A primeira coisa que fizemos foi perguntar por informações e relatos de viagem a amigos e conhecidos que já haviam feito Mochilão pela América do Sul. Recebemos e-mails, arquivos em Word, pdf e até mesmo páginas “scaneadas” com diversas informações que foram extremamente importantes e valiosas! Também buscamos informações em blogs que encontramos através do Google, fóruns e redes sociais de viajantes independentes como Mochileiros.com, TripAdvisor.com, Lonely Planet e no Grupo de Mochileiros no Facebook onde há milhares de pessoas prontas e dispostas a te ajudar, responder dúvidas, dar dicas e sugestões rapidamente! Essas dicas e informações fazem a diferença e por isso gostaria de compartilhá-las.

Como éramos em 3 para organizar a viagem, buscar informações, pesquisar sobre os atrativos turísticos e tomar decisões sobre o roteiro, meios de transporte e hostels, decidimos dividir as tarefas. Além disso, criamos um grupo no Facebook, dois documentos no Google Docs para armazenar, centralizar e compartilhar essas informações em tempo real e também para facilitar nossa comunicação. Também fizemos algumas reuniões pelo Skype quando o assunto era mais importante e exigia uma discussão mais ampla! Reservamos os hostels pelo HostelWorld.com, e compramos as passagens pelo Decolar.com e pelo Submarino Viagens, porém recomendo o site SkyScannerque na minha opinião é o melhor site para encontrar as melhores ofertas

Depois de muita pesquisa, conversas e discussões, conseguimos definir um roteiro que ficasse bom para todos nós, pois voltamos em datas diferentes. O meu roteiro de Mochilão América do Sul ficou:

DATA         LOCAL
5-Março:    IDA:  São Paulo – Lima
6-Março:    Lima: Centro Histórico e Ceviche de Pescado (1º DIA – 06/03/2012)
7-Março:    Lima: Huaca Pucllana, Parque do Amor e Praia de Miraflores
8-Março:    Lima: Museu Larco, Shopping Larcomar, Sala Luis Miró Garland e Aura
9-Março:    Lima e Ida para Cusco (21 horas)
10-Março:  Cusco: Centro Histórico
11-Março:  Cusco: Plaza de Armas, Saqsayhuamán, Boleto Turístico e Churrasco Inca
12-Março:  Vale Sagrado dos Incas: Ollantaytambo e Águas Calientes
13-Março:  Machu Picchu: a Cidade Perdida dos Incas
14-Março:  Águas Calientes volta a Cusco e ida para Copacabana (10 horas)
15-Março:  Copacabana, Bolívia (10 horas)
16-Março:  Isla del Sol, Bolívia (2h de barco)
17-Março:  Isla del Sol volta a Copacabana e ida La Paz (3 horas)
18-Março:  La Paz, Bolívia: Capital Administrativa e Sede do Governo da Bolívia
19-Março:  La Paz: Passeio Chacaltaya, Valle de La Luna e Ida a Uyuni à noite (8 horas)
20-Março:  Salar de Uyuni Tour (Dia 1)
21-Março:  Salar de Uyuni Tour (Dia 2)
22-Março:  Salar de Uyuni Tour (Dia 3) / San Pedro de Atacama (1 hora)
23-Março:  San Pedro de Atacama – Ida para Santiago (25 horas)
24-Março: Santiago, Chile: Dicas do que fazer, conhecer, hostels, bares e baladas em Santiago
25-Março:  Santiago de Chile
26-Março:  Santiago de Chile
27-Março:  Santiago de Chile
28-Março:  Santiago de Chile
29-Março:  Santiago de Chile
30-Março:  Santiago de Chile
31-Março:  Santiago de Chile
01-Abril:     Santiago de Chile
02-Abril:     VOLTA: Santiago – Ida para São Paulo

No geral, gostei muito desse roteiro e achei que ficou ideal em relação a ordem (começar em Lima e descer até Santiago), o tempo em cada cidade e os lugares que conhecemos. Muita gente fica em dúvida sobre a melhor época para fazer Mochilão pela América do Sul pois no inverno é muito frio e no verão chove bastante. Acredito que não poderiamos ter escolhido um mês melhor pra ir do que Março,  fim do Verão e o começo do Outono. Tirando um fim de tarde chuvoso em Cusco e uma tormenta tropical em Águas Calientes, também no final do dia, logo depois que chega de Machu Picchu, os dias estavam ensolarados e maravilhosos. Mesmo fazendo calor, é necessário levar roupa de frio pois as noites em Cusco são frias. Se você for para a Bolívia, vai precisar de muita roupa de frio pra visitar a montanha de Chacaltaya e também no passeio de 3 dias saindo de Uyuni até San Pedro do Atacama (Chile). Faz muito frio no deserto a noite!

Como podem perceber, fiquei bastante tempo em Santiago… me encantei com a cidade, com as pessoas e com o estilo de vida da cidade (e do estilo de vida que eu estava vivendo lá haha). Conheci uns cariocas e umas mineiras super gente boas e como estava na casa de um amigo chileno, também conheci uma galera do Chile. Havia uma programação, alguma festa ou lugar legal para conhecer todos os dias e por isso,  adiei tanto a minha ida para Valparaíso e Viña Del Mar que acabei nem indo. Todo mundo diz que vale muito a pena conhecer essas duas cidades portuárias, mas não me arrependo porque vivenciei Santiago de uma maneira única e agora tenho um motivo a mais para voltar ao Chile e conhecer o país inteiro, que é incrível!

Além de conhecer e vivenciar novos lugares, culturas, hábitos e costumes, viajar é conhecer pessoas novas e fazer novas amizades. Quando estávamos em Ollantaytambo esperando o trem para Águas Calientes conhecemos o Gabriel, um outro brasileiro muito gente boa que como estava viajando na carreira solo e tinha o roteiro muito parecido com o nosso, entrou para o time que em La Paz recebeu o nome de Brasileños Gallinas! Viajar com esses #pélas foi um prazer!

Pedro, Guilherme, Murilo e Gabriel.

Companheiros de viagem: Pedro, eu, Murilo e Gabriel.

Muita gente está me perguntando sobre a viagem, como foi, qual o roteiro, quanto gastei, pedindo dicas e esse foi um dos motivos pelo qual decidi criar o blog e compartilhar um dos nossos arquivos do Google Docs. O arquivo “Mochilão América do Sul (Peru, Bolívia e Chile) | I GET AROUND Travel Blog” apresenta informações sobre o Roteiro; Transporte (meio de transporte utilizado, valor das passagens, horários de saída e chegada, empresas e duração da viagem); Coisas para Fazer (atrativos turísticos, monumentos, praças, restaurantes, baladas, etc.)Hospedagem (hostels que nos hospedamos, valores, endereço e site); O que levar? e Gastos TOTAL (total de todas as despesas da viagem). Clique AQUI para acessar e consultar o arquivo! Espero que te ajude 🙂

No próximo post, irei falar dos meus primeiros dias em Lima, a capital do Peru!

Leia também:

Lima: Centro Histórico e Ceviche de Pescado (1º DIA – 06/03/2012)

Lima: Huaca Pucllana, Parque do Amor e Praia de Miraflores (2º DIA – 07/03/2012)

Lima: Museu Larco, Shopping Larcomar, Sala de Arte Contemporânea Luis Miró Quesada Garland e Aura (3º DIA – 08/03/2012)

Lima e Ida a Cusco (4º DIA – 09/03/2012)

Cusco: Centro Histórico (5º DIA – 10/03/2012)

Cusco: Plaza de Armas, Saqsayhuamán, Boleto Turístico e Churrasco Inca (6º DIA – 11/03/2012)

Vale Sagrado dos Incas: Ollantaytambo e Águas Calientes (7ºDIA – 12/03/2012)

Machu Picchu: a Cidade Perdida dos Incas (8º DIA – 13/03/2012)

Copacabana, Bolívia: Lago Titicaca, Cerro do Calvário e Chicharrón de Trucha (10º DIA – 15/03/2012)

Isla del Sol, Lago Titicaca: a Ilha Sagrada dos Incas (11º DIA – 16/03/2012)

La Paz, Bolívia: Capital Administrativa e Sede do Governo da Bolívia

La Paz: Passeio Chacaltaya e Valle de La Luna

Salar de Uyuni Tour: Passeio de 3 dias saindo de Uyuni (Bolívia) até San Pedro do Atacama (Chile)

San Pedro de Atacama, Chile: Sandboarding no Deserto do Atacama e Valle de La Luna

Santiago, Chile: Dicas do que fazer, conhecer, hostels, bares e baladas em Santiago